Seja bem vindo!

Este é o blog de mais um aspirante a símio!
Algumas das imagens presentes nos posts são links para assuntos afins.
Mostrando postagens com marcador Futebol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Futebol. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de junho de 2009

Brasil x EUA



A história é um domínio de todas as dimensões: do espaço e do tempo.
É construída no presente, retrata o passado e projeta um futuro, mas nem sempre essa projeção condiz com a realidade. Porque não se conta o futuro. O futuro se constrói.
E nessa copa das confederações...
A história já parecia contada, antes mesmo de acontecer
Brasil x Espanha na final.
O Brasil chegou lá, mas o seu suposto adversário ficou pelo caminho, dando espaço para EUA, aquele que ninguém acreditava que passaria, ao menos, da primeira fase.
Ninguém acreditava também, que além de chegar à final, eles terminariam o primeiro tempo ganhando por 2x0 os pentacampeões do mundo.
Aqueles que costumam construir a história a seu modo, independentemente da história dos outros, roubavam a cena
Mas na história do futebol, há um elemento que escapa do espaço e do tempo, (ainda que não escape da história): a camiseta!
E a amarela, de cinco estrelas, pôs as coisas no seu devido lugar
Devolvendo a história à sua dimensão
No futebol, pelo menos nele…
No, they didn`t can!

domingo, 21 de junho de 2009

Que tudo não termine em taça (de champagne)


O Brasil voltará a sediar uma copa do mundo 64 anos depois do “Maracanaço”, como ficou conhecida a final de 1950 quando 200 mil pessoas testemunharam a derrota brasileira frente ao Uruguai, o que foi, seguramente a maior tragédia da nossa história futebolística.

Para a copa de 2014, no entanto, a temível tragédia começa desde o momento do anuncio do Brasil como sede oficial: a de que os recursos públicos corram pelo ralo da corrupção em desvios de verbas, superfaturamentos e, na melhor das hipóteses, em obras milionárias que não proporcionarão o devido retorno aos investimentos feitos em sua construção.

Este mês, foram anunciadas as cidades-sede e os respectivos estádios que serão palco dos jogos de 2014. Dentre as 12 cidades escolhidas, pelo menos nove devem usar dinheiro público para construir estádios, o que contradiz a enfática declaração no ano passado, do Sr. Ricardo Teixeira, presidente da Confederação brasileira de futebol, de que a copa do mundo seria totalmente realizada com recursos privados.

Muitos estádios novos serão construídos, ou em terrenos desocupados ou sobre os escombros estruturais e históricos de outros. Em Recife, por exemplo, será construído um estádio totalmente novo dentro de um complexo criado para o mundial, chamado de Cidade da copa, com shopping center, conjuntos residenciais e local para eventos. A dúvida é que utilidade terá esse estádio depois que passar o mês de competição, no pequeno município de São Raimundo, enquanto cada um dos três clubes importantes de Pernambuco já possui seus próprios estádios e que, pelo menos dois deles, poderiam ser reformados para a copa.

Poderiam... Se não fosse inevitável a obrigação de cumprir, à risca, cada uma das “recomendações” da entidade máxima do futebol. Afinal é preciso encher os olhos dos patrocinadores e proporcionar um grande espetáculo televisivo. E, para isso, segundo o critério daqueles que “recomendam” é imperativo construir estádios padronizados para todo o mundo, como se a cultura não fosse um componente essencial na arquitetura.

Em Manaus, onde nenhum clube joga, ao menos, a terceira divisão do campeonato nacional, e que em clássicos não é incomum um público de 150 pessoas, será construído um Vivaldão totalmente novo sobre o atual, que será demolido. O valor da obra, custeado pelo governo local, será de 500 milhões de reais, mais ou menos uns 5 hospitais de médio porte, equipados com salas cirúrgicas, UTI e tomografia computadorizada. Levando em consideração que, no Brasil, os custos finais geralmente são bem maiores que os anunciados inicialmente (vide o exemplo do PAN do Rio, onde os valores gastos foram, pelo menos, o triplo do orçamento inicial), calculemos uns 8 hospitais, mais ou menos.

Na linha do “Ninho de pássaro”, estádio ícone das olimpíadas de Pequim do ano passado, o novo Vivaldão fará alusão, em sua forma, a palhas e texturas de pele de répteis. É o Brasil mostrando um pouco da identidade amazônica – através de um escritório de arquitetura alemão (assim como em Natal). Nada mais coerente, afinal o modelo de estádio, estabelecido pelas exigências padronizadoras da FIFA, tem muito mais a ver com a Alemanha que com o Brasil.

Em Cuiabá, somente o gramado do Verdão será aproveitado. Uns “4 hospitais” serão investidos, com dinheiro público, claro.

Enquanto isso a FIFA já fechou todos os contratos de patrocínio possíveis para o mundial de 2014. Um valor em torno de 2 bilhões de dólares que o Brasil não verá, sequer, a cor. Antes, ele será usado para, dentre outras coisas, financiar as viagens dos cartolas e suas hospedagens em hotéis de luxo. Ou seja, o povo brasileiro paga a conta, mas quem bebe são eles.

Por falar em beber... Abramos um parêntese:

Uma das boas noticias no cenário de realização da copa no Brasil, é que uma velha conhecida dos estádios brasileiros voltará a aparecer: a boa e velha cerveja gelada. Se o trabalhador tupiniquim terá condições financeiras de tomá-la ou, pelo menos, de entrar no estádio, já é outra história...

Os problemas estruturais da educação e segurança pública, assim como as desigualdades sociais voltam a ser os responsáveis pela geração de violência nos estádios de futebol, imaginem que disparate! O consumo de bebidas alcoólicas foi inocentado no tribunal da FIFA. O fato de um dos seus principais patrocinadores ser uma companhia de bebidas, certamente não tem nada a ver com isso...

Fecha parêntese...

É bem verdade que a realização da copa não se limita a construção de estádios. O Brasil deve passar, nos próximos 5 anos, por uma grande reestruturação da infra-estrutura de suas cidades, pelo menos das que sediarão o mundial. Aeroportos, vias de tráfego e transporte público devem ser modernizados e terem seus serviços expandidos. O turismo deve crescer, empregos diretos e indiretos devem ser criados etc.

É verdade também que é possível que, através de parcerias, cheguem recursos externos para contribuir com esse processo. Mas a dúvida persiste: o resultado da equação configurada pelo que vamos pagar e o que vamos ter de benefícios será realmente positivo ou mais um espetáculo de pirotecnia política?

Será a realização de uma copa do mundo, o segundo maior evento esportivo do mundo, uma oportunidade de desenvolvimento para a nação brasileira ou de enriquecimento ilícito dos líderes políticos?

Não se sabe...

A nós, cabe transferir para a esfera social o que já é parte da cultura do futebol: exigir!

Exigir transparência nas contas, objetividade no emprego de recursos e responsabilidade social para que, ao final da copa do mundo, a conquista de uma taça de campeão não seja o máximo que tenhamos a comemorar.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Barcelona Club de Fútbol



Més que um club (mais que um clube, em catalão), é o slogan do Barcelona clube de futebol, e, efetivamente, ninguém pode negar que na realidade o seja, muito mais que um clube de futebol.

O Barcelona pode-se dar ao luxo de nunca ter tido estampado o nome de um patrocinador em seu uniforme principal (fora a marca do material esportivo), e, a partir de 2006, passou a levar, no espaço destinado a este fim por todos os clubes, o nome da UNICEF, para a qual, ao invés de receber dinheiro, direciona não menos que 1.5 milhão de euros por ano, contribuindo para o financiamento de projetos humanitários, incluindo o combate a AIDS na África. Além disso, a fundação Barcelona Futebol clube investe na luta contra as drogas, dentre outros projetos.

Historicamente o Barcelona é um clube de orientação esquerdista, apoiou o regime republicano e apóia até hoje a causa catalã, exaltando sua cultura e defendendo seu idioma e suas perspectivas autonômicas. Desperta, por tudo isso, a simpatia de espanhóis espalhados por toda a terra das touradas. Seu nome e suas tradições rompem as barreiras da geografia e cativam fãs no mundo inteiro.

Como não poderia deixar de ser, os seus dirigentes exploram essa imagem em interesses econômicos, fechando contratos cada vez mais gordos e ampliando seus horizontes. Em breve, haverá uma equipe barcelonista disputando o campeonato norte americano, certamente com o objetivo de cativar a terra do tio Sam, que ainda começa a descobrir a paixão pelo futebol.

O Barcelona tem hoje 2 dentre os 5 melhores jogadores do mundo (segundo a FIFA) em seu plantel que, por sua vez, é o mais valorizado do mundo (segundo pesquisas sobre economia e futebol). Com mais de 100 anos de história, um gigante patrimônio (incluindo o museu mais visitado da Espanha), mais sócios de 150 mil sócios (mais do que o número de vagas em seu estádio) e quase todos os títulos que um clube pode almejar dão a noção do tamanho do poder que possui esta instituição.

Pelo Camp Nou, passaram grandes gênios do futebol brasileiro, incluindo os três maiores nomes dos últimos anos, o quarteto mais que fantástico: Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaucho, nomes a serem lembrados por toda a história do futebol. Mas não só gênios brasileiros passaram por aí, nomes como os de Stoichkov, Cruyff, Laudrup, Zubizarreta e, nada menos que, Diego Armando Maradona, compõe a imensa trajetória deste pedaço da história viva que os apreciadores do futebol têm o prazer de contemplar.

Se morasse na Espanha, certamente seria torcedor deste que, com certeza, é muito mais que um clube...

Se antes,

E acima de tudo...

não fosse torcedor do CRB

Claro!

O teatro e o estádio



Dizem que o estádio de futebol é como um teatro.
E, realmente, estas edificações dialogam entre si. Apesar de suas funcionalidades serem completamente distintas, os entes que os configuram batem uma bola, apesar de muitos marcarem gol contra ao relacioná-los.

A FIFA, outras entidades e profissionais tendem a associar estes dois espaços, porém deve-se ter prudência ao fazê-lo, pois pouco a pouco me parece que o estádio vem ganhando cada vez mais características de teatro, o que diminui a dimensão do espetáculo futebolístico, que não admite, em sua essência, a passividade do espectador de uma peça teatral.

Embora, algumas peças, especialmente do teatro moderno, tenham uma perspectiva de interatividade com o público, esta é significativamente diferente da perspectiva que existe no caso do esporte.

A efusão de sensações provocada pela alucinada dinâmica das arquibancadas de um estádio de futebol e os espetáculos de canções e coreografias tendem a ter seus dias contados com a domesticação das torcidas através essencialmente da configuração espacial do estádio de futebol.

É a arquitetura e a arte, o pão e o circo...


No estádio
o palco é revestido por grama
a platéia não precisa
e nem deve
fazer silêncio durante o espetáculo
e os atores
os protagonistas
donos de um preparo físico invejável
e mestres da improvisação
jamais seguem qualquer roteiro
No estádio
não há encenação
e o resultado
é sempre um espetáculo inédito
cheio de surpresas
e irresistivelmente apaixonante


(não que Shakespeare não seja...)

Soneto ao futebol

Morre o tempo, desfaz o espaço, começa o jogo
a adrenalina jorra, dissipa e se renova
atordoado fico, preso à uma bola
pendendo do pranto ao gozo

A alegria desafia a derrota
sorri, e se espalha, no todo
que na parte se encontra, de novo
e esta paixão indefinível extrapola

Na disjunção louca dos ataques,
a tradição soma aos embates
a essência do esporte bretão

Jamais erro um chute aqui sentado
passo por todos os zagueiros e marco
o gol mais importante de toda a 4ª dimensão

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Para que tantos milhoes de pixels?



A incômoda situação de ter um jogo de Champions league prestes a acontecer a 14 km de onde estava e não poder ir já até havia passado, quando um diálogo na tarde de 25 de novembro se iniciou:

- Alejandro, recebeu meu e-mail? Disse eu
- Recebi, mas não pude responder!
- Mas, e aí, voce consegue comprar ingresso mais barato pro jogo?

(O jogo entre Villareal x Manchester United aconteceria neste dia, e o ingresso mais barato que havia encontrado tinha sido no valor de 100 Euros, mas Alejandro, um mexicano, é sócio do Villareal e pensei que talvez ele pudesse comprar para mim mais barato do que isso)

- Não, não consigo, mas... Meu filho está doente, e sempre vou com ele... Então eu também não vou hoje, vou deixar para ir na segunda fase, sendo assim, eu te dou meu cartão de sócio e você vai no meu lugar...

Bem, não é muito fácil para mim dizer o que senti nesta hora... Mas as palavras que o mexicano me falava soavam como o mais perfeito português, era capaz de entender qualquer coisa que ele dissesse mesmo que fosse um trava línguas dentre os mais difíceis de um longínquo pueblo de alguma antiga civilização Maia... Soava como a mais perfeita música, como uma orquestra perfeitamente afinada. Aquelas palavras eram tão fascinantes que quase vejo o mexicano com um batom vermelho, de cabelos compridos e com um sinal negro sobre o lábio superior.

- Agora você vai ter que sair antes da aula acabar, já que o jogo começa às 20:45 e a aula só acaba às 21:00...

Mal sabia ele que eu poderia deixar uma noiva no altar... Quanto mais uma professora...

Depois, ainda advertiu:
- vá bem agasalhado, lá faz muito frio!

Agradeci por avisar, porém não imaginava que mais tarde o estaria xingando

Segurei o cartão em minhas mãos e o coloquei em meu bolso como segurei a primeira nota de cem que vi na minha vida, quando tinha uns 15 anos (mas esta não foi pro meu bolso, infelizmente)

Agradeci com um sorriso que mal podia controlar e olhei para a professora, quando vi uma cena estranha, ela movia a boca sem parar, abria e fechava, gesticulava, mas não saia nem um som, olhava em volta e as pessoas prestavam atenção na aula e achei estranho ninguém comentar a súbita mudez da interlocutora.

De repente, a voz voltou, mas segui sem entender nada, e assim fiquei ate que as pessoas começaram a se levantar e formar grupos, era uma dinâmica... Aproveitei a brecha e disse ao mexicano que ia embora, passaria no apto para por uma roupa e pegar um dinheiro.

Pus duas calças, uma meia de Lá até o joelho, luvas, duas camisas (sendo uma de manga comprida, um agasalho e um casaco (deveria ter posto todos). Olhei o cartão como se fosse uma pedra preciosa, o virei para olhar o verso e lá estava escrito: “este cartão é pessoal e intransferível, podendo inclusive ser exigido o documento nacional de identidade para comprovar a titularidade nas entradas dos estádios”... virei de novo para olhar sua frente (que era bem mais interessante) engoli seco, o guardei no bolso e então marchei rumo à estação de trem.

La chegando, encontro vários grupos de ingleses, o trem sai e logo chega a Villa real, são 10 minutos de viagem. Ao parar na estação, alguns ingleses ameaçam não descer, pois não entendiam o anuncio: “próxima parada: Villa real” – que não entendessem o “próxima parada” vá lá, mas Villa real?? Um espanhol os adverte: “VILLAREAL”, aí sim, eles entendem... e no final, quem ficou sem entender fui eu.

Este mesmo espanhol foi a quem perguntei onde ficava o estádio e ele me disse que estava indo para lá e que poderia acompanhá-lo. Perfeito! Perguntei sobre trens de volta para Castellon e ele me disse que não haveria mais quando jogo acabasse, nem tampouco ônibus. Eu teria que pegar um taxi (cerca de 25 euros)... mas a volta não me preocupava, já diria meu amigo filósofo fumacinha: “pra voltar todo santo ajuda!” (e eu nem acredito em santos, mas se eles me ajudassem eu aceitaria).

Quanto mais nos aproximávamos do estádio mais se podia ouvir os gritos... Dos ingleses, os visitantes. Chegamos, o espanhol me indicou por onde entrar e nos despedimos. Procurei a entrada e fiquei observando algumas pessoas entrarem para ver como se passava o cartão, pois eu não podia deixar parecer que era a primeira vez que estava indo ali, não poderia ser sócio e estar indo pela primeira vez ao estádio e, portanto, desconhecer quais os procedimentos para entrar, pois já aconteceram vários jogos nesta temporada. E, caso desse algum problema e algum funcionário do clube viesse falar comigo alem de achar estranho desconhecer como se fazia para entrar ainda perceberiam o sotaque e daí para pedir o DNI era um pulo.

Comecei a imaginar as desculpas que poderia dar caso isto acontecesse. Pensei se diria que o titular tinha me emprestado (desta forma eu me livraria, talvez, e ele perderia os direitos de sócios), pensei em dizer que tinha achado o cartão (daí eu iria para alguma sala, em algum lugar do estádio ou seria mandado pra fora e o cartão ficaria recolhido), e por ultimo pensei em dizer que tinha pego de um amigo sem ele saber, e esta seria a pior de todas as desculpas, pois iria parar numa delegacia, sem passaporte e tendo cometido um furto, e logo depois num aeroporto, rumo à terra dos Marechais... Logo, esta foi descartada. Elegi a alternativa do meio como provável desculpa...

Observei duas ou três pessoas entrarem e lá fui eu em direção as catracas de entrada. Não era complicado, havia uma máquina com leitor de código de barras, era só posicionar o cartão embaixo, a luz verde acendia e você passava.

Pego o cartão, posiciono, espero...

E nada de luz verde... Viro de lado mexo o cartão... E nada de luz verde... Através da minha visão periférica, vejo uma mulher se aproximar, com uma roupa chamativa, cor verde-limao, característica de todos os profissionais da segurança, e da infra estrutura e controle urbano (incluindo policiais). Nem ousei virar o rosto e enquanto rezava para a tal luz verde aparecer, a mulher chega perto, e diz:

- Perdón...

Toma o cartão da minha mao, me olha no rosto (enquanto isso eu já me imagino falando pro Mexicano no dia seguinte: “recolheram teu cartão”, e isto, na melhor das hipóteses).

Aqueles segundos parecem ter durado mais do que os 90 e tantos minutos da partida

A tal funcionaria então passa o cartão pela catraca e, finalmente, a tal luzinha verde se acende...

- Podéis pasar
- Gracias!
...

El Madrigal. Este sim um belo estádio! Pequeno e aconchegante, com uma visão perfeita do campo, iluminação, acessos, espaços de circulação, gramado, arquibancadas, cadeiras, separações entre setores, tribunas... Tudo na mais absoluta perfeição... Só não é totalmente coberto, como recomenda a FIFA, mas do que importa? Se conselho fosse bom...

Observo cuidadosamente cada detalhe, cada som, cada manifestação... mal podia acreditar que estava em uma partida do campeonato de futebol de clubes mais importante do mundo, há quem diga que seja mais importante até do que copas do mundo de seleções, e dentro de certos aspectos, realmente o é.

Somente um aficionado por futebol e por toda a magia que o cerca pode entender o que senti.
Havia um certo burburinho que Cristiano Ronaldo, considerado atualmente como o melhor jogador do mundo, não iria jogar devido a uma suposta contusão... O clima fica tenso... não seria a mesma coisa... Mas não demora para o telão do estádio anunciar as escalações e acabar com as tensões que existiam neste sentido. Lá estava o nome do português.

Entram os jogadores do Manchester em campo e começa o desfile dos craques, dos milhões e milhões de euros que formam aquela constelação. Algum tempo depois entra o time da casa, mais modesto, mas também muito perigoso, e, neste momento começa a tocar uma música muito alta, provavelmente a mesma que toca em todas as entradas do Villareal e, acreditem se quiser, a musica era: “Olha a nega do cabelo duro, que não gosta de pentear...”. Em espanhol, claro, provavelmente a versão original da música que, agora descobria, era uma tradução para o português.

Depois deste espetáculo, me lembro do aviso do Mexicano sobre a questão do frio, e agora, sinto vontade de xingá-lo, pois ele disse que fazia muito frio, mas não que fazia muito, muito, mas muito frio! A arquibancada alta, somada às cadeiras descobertas e a um inconveniente vento perpendicular me expulsam para um bar, em busca de me esquentar um pouco, claro. A parte interna do estádio é menos fria.

Faltando 10 minutos para o jogo começar, volto para meu assento especifico, numero 63, fila 20. E neste meio tempo até o apito inicial já era anunciado que teria que conviver pelo menos por uma hora e meia com a minha já companheira tremedeira. E cada vez era mais frio, olhava para os lados em busca de auxilio, de um cachecol à venda, qualquer coisa! E no auge dos tremeliques, alguém bate no meu ombro e quando olho para trás estava a Deni (minha prima que já me salvou de vários apuros aqui no velho continente) me dizendo:

- Toma esta polar (um casaco muito grosso) Renan, num disse pra você trazer menino!

Não!

Era só uma alucinação hipotérmica, senão visual, imagística por certo.

O jogo está para começar, entram varias crianças para balançar a tradicional bola do tamanho do circulo central do campo, símbolo do campeonato que estava sendo disputado. Quando os times entram em campo, e surge no sistema de som a musica da Champions league, todos se erguem, batem palmas, e, neste momento, me arrepio dos pés à cabeça, e posso afirmar com toda a certeza do mundo: desta vez, não era de frio!

Os times se alinham, se cumprimentam, tiram fotos e começam a partida. O jogo é bom, muito movimentado, disputado e de altíssimo nível técnico, como não poderia deixar de ser. No intervalo, senti inveja de algumas crianças que brincavam com garrafas de plástico transformadas em bola. Gostaria muito de ter 8 anos de idade neste momento para poder correr e esquentar meu corpo sem parecer um maluco! Caminhei um pouco e pensei que correr sim, mas ficar subindo e descendo todos os lances de escada até o ultimo bar não seria tão estranho assim...

Entao, assim o fiz! Até a hora de voltar à minha cadeira.

O segundo tempo ia começar, e, confesso, se não fosse tão apaixonado por futebol e se aquele não fosse um momento tão especial para mim teria dito: “e lá vamos nós, para mais 45 minutos de sofrimento!”. O jogo continua num ritmo forte, no entanto, com as duas equipes já classificadas para a próxima fase falta um pouco de ímpeto em busca do gol, que chega, dos pés de Rooney, mas é anulado. Cristiano Ronaldo acerta uma bola no travessão, o Villareal tem bons ataques e um jogador expulso no final.

Enfim, termina 0 x 0, porém, o mais emocionante de todos que já vi. Senão pelo jogo em si, por toda a magia que estava agregada àquela experiência.

É hora de ir embora, só que: para onde? E... Como?

Pergunto para uns caras onde ficava a estação e se ainda havia algum trem para Castellon. O primeiro espanhol me aponta uma direção e diz que não sabe se ainda há trem, Os outros dois que estão com ele me apontam a direção contrária e garantem que não há mais trens, teria... que pegar um taxi!

Pego então a direção que os dois me indicaram e sigo em frente... Depois de vinte minutos de caminhada, já não tenho mais ninguém por perto, os carros se foram, as pessoas tomaram seus destinos e lá estava eu caminhando. Quando encontrava alguma alma na rua perguntava para ver se estava indo na direção correta, então me orientava. E seguia caminhando... Embora, neste momento já tivesse certeza que não estava indo para a mesma estação que cheguei, mas não importava... A única coisa que sabia é que não poderia ficar parado.

Dobrei numa esquina e encontrei um grupo de cinco ingleses que falavam e cantavam sem parar, num determinado ponto eles entraram num carro e se foram e eu continuava a andar. Estava caminhando numa cidade que nunca havia pisado, sem ninguém nas ruas, depois das 23:00hs, num pais estranho que não fala a minha língua, sem saber para onde, e pior: sem saber para quê! Já que não haveria mais trens. Juro que se houvesse alguma movimentação nas ruas, alguns bares teria passado a noite por lá mesmo... E de manhã, quando os trens voltassem eu voltava também. Mas não havia nada, um pé de gente...

Enfim, chego à estação, e intrigantemente era sim, a mesma da qual havia desembarcado na vinda... Só não entendia porque demorei 20 minutos para chegar ao estádio e uma hora para voltar... Se eu fosse como meu irmão, branco e dos olhos claros, seria capaz de apostar que os tais dois espanhóis lá de trás pensaram que eu era inglês e me sacanearam, mas isto também não importava, o protagonismo desta historia está longe de ser esta caminhada, afinal já estou acostumado.

Chegando à estação, agora sim, algumas dezenas de pessoas se encontram. Olho os horários dos trens e, realmente, não há mais, porém mesmo assim pergunto ao homem da bilheteria que me diz que ainda há um, ultimo, que sairia em menos de 5 minutos, provavelmente uma linha extra devido ao jogo.

Compro o bilhete, e vou esperar o salvador. Quando o trem chega, mais parecia que estava chegando a delegação do Manchester, pois os inúmeros ingleses acordaram e começaram a cantar “Manchester Lalalala, Manchester”...

O trem pára, e todos entramos...

Agora, rumo a Castellón no final de um dia especial...

Se me perguntam se tenho fotos... Do estádio, do campo, dos jogadores, dos prédios de Villareal, do trem, ou uma foto minha na frente do estádio com uma mao no bolso esquerdo e a outra fazendo o sinal da paz, ou um hangloose...
Respondo que não as tenho, pois não tenho maquina fotográfica...
...
Na verdade...

A tenho...

Pois tenho minhas mãos para me expressar através deste fantástico conjunto de signos criados pelo homem chamado de palavras...

E tenho a melhor de todas as máquinas de fazer fotos... A única que não falta a nenhum homem ou mulher independentemente do seu poder aquisitivo e do seu grau de instrução. Aquela que ajuda o homem a escrever a história e entender um pouco daquilo que foi, e daquilo que é. A única que tem espaço de gravação ilimitado e inapagável, a não ser com a morte (e há quem diga que nem com ela...)

Eu possuo a melhor de todas as máquinas, a que tira as melhores de todas as fotos:

A memória.


OBS: A história de largar a noiva foi brincadeira! hauahuah

domingo, 23 de novembro de 2008

Valência x Sporting Gijón



O que um freqüentador dos estádios alagoanos poderia esperar de um estádio europeu?
Muita coisa!
Esperava muita coisa sentado no banco onde o dinheiro do espetáculo futebolístico está depositado, esperava muito do mundo para onde são sugados com uma fome imensurável todos os bons jogadores que nascem em meu país.
Esperava muita coisa e, devo confessar:
fiquei esperando!

Depois de Itália e Inglaterra, a Espanha tem o campeonato mais forte da Europa. Devido aos significativos investimentos e a visibilidade mundial, imaginei uma série de coisas que não vi.

O estádio Mestalla, por fora, não tem nada de exuberante. É um grande estádio, mas sem nenhum atrativo visual em sua forma e/ou acabamentos. Surpreendeu-me o estádio não ter, digamos, uma entrada, uma fachada especifica que atraísse os olhares e fosse o principal portal, o elo entre o templo do futebol e o publico. Os pedestres passam pelo estádio, o circulam e a única coisa que conseguem ver são toneladas de concreto, banners gigantes dos patrocinadores e portas fechadas. Nenhuma loja do Valência, nenhum mascote, nenhum esboço de instalações do clube. Isto, também, porque o Mestalla não é a sede do Valência, que possui uma sede uma pouco mais afastada da cidade, onde ocorrem os treinamentos e onde o time “b” joga a terceira divisão do campeonato espanhol.

O Mestalla foi inaugurado em 1923, passou por reformas e hoje tem capacidade de receber até 55.000 expectadores. Abrigou jogos da Copa do mundo de 1982, e das olimpíadas de 92. É um estádio completamente inserido no tecido urbano, varias instituições o cercam, inclusive alguns prédios da universidade de Valência. Há espaço para estacionamento, mas não o suficiente, nos estacionamentos imediatamente próximos ao estádio carros estacionam em fila dupla, o que não deixa de ser comum por aqui.

Por dentro, é um estádio imponente, grandioso, porém sem grandes atrativos também. Possui vários “pontos cegos”, o espaço de circulação das arquibancadas é pequeno e as cadeiras estão mal conservadas. Por outro lado a iluminação é muito boa, o gramado parece estar em perfeitas condições e o acesso e saída de torcedores acontecem numa velocidade impressionante, as amplas circulações externas e o grande número de acessos permite isso.

Embora a impressão técnica não tenha sido boa, a emoção de ver e entrar em um estádio europeu não deixou de ser fascinante e inesquecível. Pude chegar mais de uma hora antes do jogo começar e, então, sentir o seu clima, a rivalidade entre as torcidas, os cânticos, a cerva pré-jogo e tudo que se tem direito.

E por fala em torcidas, o que dizer delas?

Bem, a do Sporting gijon, ensandecida, gritava do lado fora e gritou todo o jogo, o que logo de cara me fez sentir uma simpatia por aqueles abnegados que viajaram cerca de 8 horas de trem para estarem ali. Ao final do jogo, com a vitória para contar no regresso e com alguns litros de cerveja circulando no organismo, os espanhóis do norte caminhavam descamisados num frio onde eu fazia todos os esforços para não deixar uma mísera parte do meu corpo ao léu.

Já a torcida do Valencia, embora tão agasalhada quanto eu, era tão fria quanto à noite valenciana. Somente 2 grupos do que eles chamam aqui de torcida organizada faziam algum barulho, os restantes só esboçavam um ou outro “uhh” quando o ataque ameaçava alguma coisa. E, devo descontar, coitados, não tiveram muitos “uhs” para soltar, pois o adversário jogava mais e logo abriu o placar.

Foi a primeira vez que vi um jogo em que dentro de campo havia mais estrangeiros que brasileiros, e, além disso, o único brasileiro que tinha em campo era mais um daqueles que os espanhóis não conseguem pronunciar seu nome direito, seu nome?

Renan!

Bom, quanto aos estrangeiros da arquibancada nem preciso comentar… e se quase todos eram estrangeiros chego à conclusão que nenhum deles na verdade, e obviamente, o era. Eu era o estrangeiro! Portanto, esqueçam esta historia de “foi a primeira vez…” Permanece tudo igual!

O mais interessante de todo este dia foi ter percebido que a bagunça...
tá, vamos chamar de “caos”, para soar mais eloqüente, o caos é um dos charmes do Brasil. Na sociedade européia onde as coisas são, em geral, mais organizadas, onde os motoristas respeitam a faixa de pedestres e os sinais de transito, a muvuca de centenas ou milhares de carros buscando uma vaga para estacionarem, passando sobre calçadas, parando em fila dupla, e toda aquela energia como a de partículas que se chocam quando são aquecidas possui um intrigante atrativo. A cidade parece mais viva, a taquicardia de um quase atropelamento por uma bicicleta possui um componente excitatório que nenhuma travessia sobre uma faixa de pedestre desobstruída pode despertar.

Dentro do estádio alguma coisa faltava. Faltavam os gritos, os xingamentos, os insultos à torcida adversária, faltava o sentimento de guerra mimética entre os torcedores rivais, o sentimento de que o duelo das arquibancadas é também um componente do espetáculo do futebol. A mãe do juiz não foi xingada uma única vez, imaginem se isto é coisa que se faça com o pobre símbolo de Judas em todas as partidas de futebol, de decisão de copa do mundo às peladas de campos de terra batida que tem um homem correndo com um apito na boca. Confesso que quase a xingo, só para que ela não se sentisse esquecida.

O jogo foi muito bom, 5 gols, vários lances bonitos, fruto de um futebol onde grandes atletas estão atuando, incluindo muitos brasileiros. Acabou com a vitória do time visitante, por 3 x 2, e com certa satisfação da minha parte, é preciso dizer.

Se durante o jogo as torcidas não deram espetáculo, depois do apito final, eis que ambas mereceriam aplausos. E mereceriam pelos seus próprios aplausos. A torcida do Valência aplaudiu o seu time e logo após, aplaudiu também o time adversário, e foi além, aplaudiu a torcida adversária. E não parou por ai, a torcida visitante em coro, o mais organizado e forte de todos os 90 e tantos minutos, gritou o nome do time da casa, e logo após, a recíproca impressionou. Uma emocionante demonstração de respeito ao adversário (eles são clubes simpatizantes).

Se por um lado falta aos torcedores espanhóis um pouco da energia dos brasileiros, a estes faltam limites! Saber que a guerra entre as torcidas é só simbólica, é só um faz de conta, que todos têm o direito de escolher o time para o qual vão torcer…

Mas quem não torce pelo GALO eu quero mais é que

V#@=¿%ª”#€$@@




Obs: O Valência está construindo um novo Mestalla, que promete ficar muito bonito e ser um dos mais modernos da Europa. O atual estádio será demolido... (Sou mais o Trapichão)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Conheça os principais estádios de futebol do mundo!



Você gosta de estádios de futebol?
Conhece vários pelo nome mas nunca os viu por fora?
Quer obter informações acerca deles?

Seus problemas acabaram!

Clique na imagem acima do Estádio Rei Pelé, o Trapichão e acesse o site Worldstadiuns.com!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Futebol! O ópio do povo?


“O futebol é a cerveja do brasileiro”

Quem sabe a cachaça, mas que ninguém venha com essa história de ópio do povo porque não cola. Ninguém nem sabe o que é ópio aqui por estas bandas...

Mas a relação do futebol com as drogas é pertinente, afinal drogas nada mais são do que substancias que o homem consome para sentir prazer, seja euforia, alucinação ou a cura de alguma dor. Há economistas, inclusive que associam o aumento do número de torcedores no estádio ao aumento do pagamento de impostos pelo trabalhador, mas enfim, isto deixo para a economia, o que quero falar aqui é sobre as cenas patéticas que vi ontem.

Parecia mesmo uma multidão de viciados na porta da “boca” a mendigar por um tapinha, e um tapinha mesmo, na cara ainda mais. Já dizia uma grande cantora da musica brasileira em suas sabias letras: “dói, um tapinha não dói”. Mentirosa!

Dói, e como dói.

Quem chegou perto da hora do jogo começar viu 10% das bilheterias funcionando, filas absurdas sem justificativa para se comprar um ingresso com o preço inaceitável de R$ 30,00. Fora isso, estavam os cambistas, oferecendo suas centenas de ingressos à “bagatela” de
R$ 25,00, sem filas, sem espera. O único problema é que era ingresso de estudante que eles estavam vendendo, vendidos, de acordo com o direito do cidadão, pela metade do preço.

Os inúmeros esperançosos de, pelo menos, entrar no estádio, puderam ouvir pelo rádio o gol de abertura do placar: do adversário. Parecia que estava sendo celebrado há poucos metros dali, no gramado, não um espetáculo de futebol, mas um velório, tamanho o silêncio da torcida. A informação, em seguida, era a de que o placar estava 2x0 para a Ponte e o CRB ainda havia perdido um pênalti, notícia esta, depois descobri, ser falsa, mas até o momento era a dura e crua realidade.

Mesmo assim, ninguém arredava o pé da fila, entrar no estádio era questão de honra, o CRB precisava da presença de cada um lá dentro, “sem mim, o CRB não é nada”, “comigo lá dentro o Galo não perde”... quiséramos nós...

Pois perde, e como perde.

Sentei no canteiro da Siqueira Campos e fiquei observando aqueles torcedores abnegados na luta épica pelo direito de assistir seu time jogar. Quando um e outro conseguia, ou vencendo a fila quilométrica, ou abrindo mão da dignidade e comprando de algum cambista, se via um individuo saltitante e apressado rumo à entrada das arquibancadas. Não importava o placar, não importava a certeza de se estar pagando para se decepcionar, o importante era entrar, ver com os próprios olhos (e só assim, segundo o ditado, o coração sente), mas mais importante do que isso, o mais importante era xingar, gritar, derramar a lágrima, sofrer, ser aquilo que ele se propôs a ser ao sair de casa: torcedor.

Observei também um casal, o homem segurava a mão de sua parceira e não acreditava no que via. Imaginem: um homem vive falando de um amigo para a sua namorada, um amigo fiel, bem humorado, amigo este que ele não troca por nada e por ninguém (exceto por você, meu amor!), amigo que é forte, poderoso, tem sucesso em tudo o que faz. Daí o homem convida a mulher a ir à casa desse seu famoso amigo (que inclusive ela não consegue entender a respectiva admiração), e quando chegam lá, dão ambos com a porta na cara.

Constrangimento, era o que se via, claramente, no rosto do tal homem. A sensação inquietante de ser desprezado por quem se tem tanta admiração, ridicularizado, humilhado pelo seu grande amigo, pelo qual fez tantos sacrifícios. Além do constrangimento se via também no rosto do homem, esperança, não de ver o Galo ganhar, mas de simplesmente sair daquela situação constrangedora. Ele caminhava para um lado e para o outro, tentando distrair a mulher e vira e mexe, como não quer nada tentava negociar um preço com um cambista.

Sem sucesso!

Foi-se embora, por fim o tal homem e sua namorada (esta, agora, certamente entendendo menos ainda a paixão alucinada do seu querido). Afinal, é difícil mesmo de entender. Quem pode ser apaixonado por pagar caro, por um produto ruim e ainda ser mal tratado? Dificil mesmo... e mais... quase esqueço, caía do céu muita água nesse dia. O torcedor mais brega diria que os deuses choravam aquelas estapafúrdias cenas.

Por isso a alusão com a droga parece, neste momento, para mim, fazer sentido.

Ninguém estava ali porque queria, de livre e espontânea vontade. Ninguém estava ali se pudesse deliberadamente estar em outro lugar, ninguém estava ali por qualquer motivo senão pelo fato de precisar estar ali.

É isto mesmo, o torcedor precisa estar no estádio, senão, ele morre, enquanto torcedor. Perde a razão de ser, de existir. Já pensou em cada uma das coisas que você faz ou tem, e que dão sentido à sua vida? Comer, beber, sexo, dinheiro, família, esportes, sei lá, qualquer coisa. Agora imagine você retirando da sua vida, uma coisa de cada vez, que coisa seria a essencial? Aquela que você não poderia abrir mão de jeito nenhum. Tipo aquela brincadeira de se perguntar para alguém: “se você fosse para uma ilha deserta e pudesse levar uma única coisa, o que levaria contigo?”.

Gostamos de fazer muitas coisas, fazemos outras que não gostamos, algumas delas são essenciais, outras não. A questão é que em cada uma das coisas que fazemos somos como uma pessoa individual para aquilo e se deixamos de fazer, aquele “eu” deixa de existir. Morre.

O torcedor, precisa ser torcedor, para, simplesmente, o ser.

Afinal,

O que seria do torcedor, sem torcer?

Torcer, no Brasil, agora remeto à economia, é como um imposto que todo mundo chora, mas sempre acaba pagando!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Gama x CRB - futebol e política


O CRB é, hoje, um dos últimos clubes na tabela de classificação do campeonato brasileiro. Após a última derrota, frente ao Gama, em Brasília, ironicamente, um deputado prometeu que chegariam não menos que 13 reforços na Pajuçara.

Só prometeu

Pois não chegou nada
Além do carteiro trazendo cobranças
E mais notícias especulativas
Notícias estas, tão oportunistas quanto seus disseminadores
É impressionante como só nos momentos de crise aparecem os heróis. Na verdade pseudo-heróis...
Figurinhas repetidas de um álbum batido há muito tempo, e sem nenhuma graça de colecionar, nem pro bafo, se aproveitam da fragilidade emocional-futebolística da grande quantidade de torcedores alagoanos para se promoverem através de boatos que deveriam ganhar artigo no código penal e um versículo no livro sagrado dos deuses da bola, sujeitando o criminoso/pecador a duras penas (daqui e de lá de cima... ou lá de baixo, vai saber...).

Se aproveitam da nobreza da torcida colorada

Colorada e carente de um time de competitivo. Torcida que paga, e paga caro, para ver a mediocridade de um time de 2 ou 3 jogadores, dentre os quais, o mais popular e importante, não por acaso, candidato a vereador.

Vereadores, deputados, prefeitos, governadores...
São estes os donos do CRB?

NÃO!!

Com exceção dos particulares, os clubes de futebol são de domínio público, são da torcida e do seu signo na sociedade. Da torcida que financia, apóia, e acompanha o time, que escreve com ele a sua história, a ponto de uma se confundir com a outra.
Que vê gerações se sucederem e nada mudar

ou tudo mudar

técnicos e jogadores vêm e vão
dirigentes também
a torcida não,

e mais, infelizmente, aqui, os que mandam no futebol, são os mesmos que mandam em todo o estado
Daí política e futebol se misturam num aglomerado que ninguém entende.
Mas tem uma coisa que todo mundo entende: é a ganância que subjuga a tudo e a todos.
É, meus caros, sábio ditado popular que diz que estes dois entes não se misturam
E não se misturam mesmo, como água e óleo
Pois assim, o futebol fica, definitivamente, como a política
Onde todos prometem tudo

Mas ninguém cumpre, absolutamente

NADA

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Bragantino x CRB



“Termina o jogo em Santa Bárbara do Oeste. O Galo, que vencia por 2 a 0, permitiu a virada e, com isso, acumulou mais um resultado negativo na Série B.”

Veredicto irredutível

Criminalisticamente, o veredicto é uma decisão do juiz que geralmente acompanha o anúncio de uma sentença.

Neste caso o veredicto não foi proferido pelo juiz

Não se pode culpá-lo disto

Embora a Sra. sua mãe, com todo o respeito, não seja lá o que pode-se chamar de modelo de mulher de família...

Mas a sentença está bem clara na cabeça dos regatianos

É o terceiro jogo fora de casa que o time alagoano começa vencendo...

Só começa

E a condenação...

Só Deus sabe

É...

É o jeito é apelar para os céus mesmo

Porque aqui

no nível do mar

As coisas não andam muito bem das pernas...

Sport x Corinthians


Imaginem uma luta entre um leão e um gavião
Só de pensar sinto calafrios
Luta sanguinária seria esta, não?
Quem sairia vencedor?
Difícil saber

Mas o futebol tem dessas coisas mesmo, de provar o improvável
De explicar o inexplicável
Sem explicar absolutamente nada
De confundir o óbvio
De bagunçar tudo
E por de volta no lugar em um segundo

Ontem, na Ilha
Sport e Corinthians fizeram a final da Copa do Brasil
Que de final, covenhamos, não teve, sequer, um espasmo
Mais parecia final
de temporada
em algum campo de pelada
entre o times de colete preto e vermelho

O personagem do jogo, para se ter idéia, ironicamente é, de verdade, um personagem
Ele não fez gol
Não defendeu pênalti
Não fez passes bonitos
Ele não fez nada
Além de 2 chutes
Um na bola
Outro no Carlinhos bala
Que parece, assustadoramente, com aquele humorista que sacaneia o Professor Aloprado, com Eddie Murphy
Pra quem não conhece o filme, o cara é mais ou menos uma mistura entre a Woopi Goldgerg com um poodle tosado na cabeça
Enfim,
O jogo foi tão medíocre para uma final
Que o que mais chamou atenção, além do título do Sport, claro, foi um Saci* de duas pernas





(o jogador Wellington "Saci" entrou para impulsionar o Corinthians ao ataque, mas só fez dar um chute para cime de pois ser expulso por chutar fora de campo o atacante do Sport)

terça-feira, 20 de maio de 2008

CRB x São Caetano (18/05/08 - 16:00hs - Estádio Rei Pelé-AL)


O CRB começou o campeonato pior do que no ano passado, já que este ano foi derrotado fora de casa pelo Corinthians-SP enquanto no ano passado saíra vencedor também de São Paulo passando sobre o Santo André.

Por outro lado, começou melhor em casa. COMEMOREMOS!!!!

Comemoremos nada!!

Mais uma vez o clube alagoano fez valer aquele velho ditado de boleiro: “jogou como nunca, perdeu como sempre”.

É bem verdade que não perdeu, mas também não ganhou

É bem verdade que mereceu ganhar, mas não ganhou

É também verdade que jogou contra um dos melhores times da série “b”, senão de todo o Brasil, o São Caetano, que conta com grandes jogadores, mas, enfim, não ganhou.

Não ganhou, e já que não ganhou nada importa.

O sábado que seria perfeito passou a ser só mais um

A reunião com os amigos foi cancelada

Até a festa que aconteceria depois nem varou a madrugada...

A vitória, meus caros, agora percebo, é aquilo que dá sentido aos sábados

Sem ela todos eles ficam iguais

Com uma insuportável e melancólica cara de domingo!

Corinthians x CRB (11/05/08 - 16:00hs - Estádio Pacaembu-SP)



Certamente a estréia do CRB no campeonato brasileiro deste ano foi uma idealização divina.

Senão dos deuses do futebol, pelo menos de algum santo, anjo ou quem sabe do pólo oposto...

Digo e de pronto apresento as justificativas para tal afirmação.

Ora, dentre as 19 possibilidades diferentes de estréia e, se for levado em consideração os jogos ida e volta este número aumenta para 38, o time que todos os anos começa sendo considerado pela mídia e pelas outras torcidas como grande candidato ao rebaixamento acerta, como numa Sena, a pior de todas elas: estrear contra um dos maiores clubes do Brasil com uma das maiores torcidas, com um plantel montado e empolgado pela volta à série “A” na sua própria casa, no místico Pacaembu.

Tamanha falta de sorte só pode ser atribuída à providência divina, afinal acreditar em quem? na matemática?

Além disto apresento dois agravantes: Primeiro, desta vez a torcida alvi-rubra parece compartilhar com a opinião alheia de que somos sim candidatos ao rebaixamento, visto que começamos o campeonato com o mesmo time que não conseguiu sucesso algum num campeonato de muito menor nível: o alagoano, Segundo, a mídia, os corintianos, o clube dos 13, o clube da esquina e todos os outros clubes, e todas as outras coisas, menos as torcidas rivais e olhe lá, pressionam para que o Corinthians volte à primeira divisão.

O cenário, de um time em formação e pequeno contra um time gigante e pronto projeta goleadas homéricas no imaginário só esperando o "play" dos torcedores

Porém, antes do "play", o "stop"

O clube de alagoas foi à capital econômica do Brasil e se comportou como os outros alagoanos ao longo da história fizeram: trabalhando com honra e exigindo respeito. Fizéramos nós da casa deles a nossa casa, jogamos de igual para igual surpreendendo até a nós mesmos.

Se fosse um filme, Jr. Amorim seria um daqueles alagoanos estereotipados com faca peixeira na cintura e tudo. O baixinho chegou na casa corintiana sentando na melhor poltrona, abrindo a geladeira e ainda riscou a faca no chão pra botar moral.

A profecia anunciada se mostrou como previsões de chuvas que nunca chegam. O galo abriu o placar e jogou como um clube digno de estar entre os 40 melhores do Brasil.

Ao final, perdemos, mas quem não perderia diante de uma determinação divina?

Que é indiscutível

mas, reflitamos, por que alguma santidade perderia seu tempo para pregar uma peça em um clube de participações discretas no brasileirão?

Difícil responder

Mas é fácil imaginar por que esta mesma figura providenciaria uma suposta presa fácil às pretensões mosqueteiras

No entanto, a espada, meus amigos, quase sai pela bainha

A caça, por pouco não se fez caçador

Mas enfim, agora sabe-se

O tal do santo

Era São Jorge

Que com Dragão e tudo, venha armado para o jogo de volta

E segure a “pêxêra”.

Seguidores