Morreu tragicamente no dia 25 de Junho de 2009 Michel Jakson da Silva, um menino de 8 meses: mais uma vítima brasileira da fome e da desnutrição infantil. Era o quinto filho de uma família do sertão nordestino, o segundo a morrer prematuramente e pelo mesmo mal endêmico.
Após passar dois dias em uma enfermaria de sua pequena cidade, Michel foi levado a um hospital na capital do Estado. Chegou em situação crítica, estava inchado, tinha os lábios cortados e mal conseguia respirar. Seus pais tinham esperança, mas no dia seguinte, de hemorragia digestiva, ele não resistiu.
Michel morreu, mas o mundo não chora a sua morte. Para o mundo, ele nada mais é que um número numa redundante e inerte estatística. Somente seus pais lhe renderão homenagens e somente em suas memórias ele viverá eternamente.
Em seu funeral não haverá músicas, caixão à ouro, imprensa, artistas nem fãs (ele sequer teve a oportunidade de cultivá-los)
Somente haverá lágrimas e dor
De um mundo que precisa dirimir o espetáculo de seus exageros
A TV Record, fundada na década de 50, teve o seu apogeu nos anos 60, quando se tornou líder nacional de audiência. No entanto, 20 anos depois, no final da década de 80, estava à beira da falência quando foi comprada pelo pastor Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.
Com o providencial slogan de “de volta pro futuro”, a trajetória da empresa começou a mudar. Nesse caso, o Delorean voador que viajava no tempo ao atingir a velocidade de 88 m/h se chamava: Bufunfa!
Isso mesmo! Money! O que é good nós não have! Dinheiro!
Altos investimentos ampliaram a estrutura física da empresa e sua amplitude de cobertura. Hoje, a Record é mais do que uma das principais emissoras de televisão aberta do Brasil. Com a Record Internacional as fronteiras do país são rompidas levando a sua programação e a “cultura brasileira” para o mundo.
Esse cenário de prosperidade fez com que nos últimos anos vários atores, jornalistas e artistas deixassem a principal emissora do país, a Globo, para incorporarem-se a Rede Record, o que era completamente impensável há alguns anos atrás.
Os carros-chefe da emissora são os programas jornalísticos e as telenovelas, que atingem altos índices de audiência, ainda que seja difícil de acreditar, levando-se em consideração a qualidade (ou a falta de) impressa nestas produções. O fato é que há alguma coisa nas novelas que tem o intrigante potencial de prender as pessoas na frente da telinha. Ainda que seja muito ruim, é legal! Sabe-se lá Deus por quê. E olhem que, no caso da Record, Deus tem tudo a ver com isso... De uma maneira, ou de outra.
Dentre as telenovelas, a saga de “Poder paralelo” está estruturada em uma organização mafiosa de origem italiana e por um emaranhado de crimes e traições. O personagem Bruno, autentico cafajeste, que cometeu adultério com a própria irmã da esposa, é um dos protagonistas. Outro protagonista é Toni Castelamari, um dos líderes da organização mafiosa que, ainda que esteja afundado até o pescoço em tráfico de drogas e negociações de armas com as FARC, não deixa de ser um galã italiano, romântico, sedutor... Gente boa o cara! Adorado pelas mulheres, e pela audiência, claro.
Em “A lei e o crime”, o retrato que a Record faz do “bem” e do “mal” através do turvo cenário das relações entre polícia, traficantes, políticos e sociedade civil, mostra uma sociedade frágil, governada por políticos maquiavélicos ultra-poderosos, uma polícia corrupta por um lado e refém das burocracias da lei, por outro e, sobretudo, traficantes justos, que só matam “sem intenção” (“Aí Dona, não queria atirar em ninguém não!”), ou quando são traídos por “xisnoves” ou algo parecido. Traficantes que trabalham com a associação de moradores em benefícios para a comunidade, através da esposa do líder, Nandinho da bazuca, que com esse apelido tão charmoso não poderia deixar de conquistar o carinho do público, que está sempre torcendo pra sua bazuca entrar em ação.
Já em “Os mutantes: caminhos do coração”, novela que, de tão grotesca, o telespectador crítico não sabe se ri ou se chora, a bizarrice já começa no nome, passa pela quimérica história e termina nos efeitos especiais de quinta categoria. A historieta, que conta com a presença de vampiros, lobisomens, mutantes e casaizinhos apaixonados, retrata uma disputa entre bem e mal sobre o pano de fundo do mais brega romantismo e aulas de como não se deve atuar. É mais ou menos uma “Malhação” versão “terror chanchada”.
O que tem em comum entre estas histórias é uma luta inevitável entre as forças do bem e as forças do mal, sendo que o mal, para o deleite daqueles que odeiam os mocinhos, sempre leva ligeira vantagem, conquistando, quase sempre, a simpatia e a torcida da audiência.
Dentro dessa mesma audiência, quase todos conhecem um episódio que aconteceu em 1995 (na vida real e sem os efeitos especiais de “Mutantes”) que ficou conhecido como “chute na santa”, quando o bispo Sérgio Von Hélder apareceu, num programa da madrugada da Record, chutando a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Desta mesma época é a matéria-denúncia da TV Globo que mostrou Edir Macedo ensinando a seus pupilos como extorquir dinheiro dos “fiéis”, utilizando termos como: “ou dá ou desce”.
A TV Globo tinha dupla motivação, além da própria informação, nessa matéria - denúncia: uma era a de defender a Igreja católica e a outra, bem menos nobre, e tampouco menos justa, era a de defender os interesses da própria Globo, afinal “queimar o filme” dos evangélicos da Record seria excelente, já que a concorrente ganhava cada vez mais expressão e audiência. Mas queimar é um verbo que a trupe de Edir Macedo domina com uma eloqüência de convencer cego de poder enxergar (e de doar todo o seu dinheiro em nome dessa crença).
Quase todos conhecem também, nesse cenário, o histórico de abusos e práticas de pseudo-curas de enfermidades levadas a cabo pela igreja criada por Edir Macedo, que chegou a ser preso em 1992, acusado de charlatanismo e curandeirismo. Mais tarde, sem nenhuma surpresa, o bispo foi inocentado das acusações e o episódio, ao contrário de manchar a sua imagem, ilustrou a capa da sua biografia (uma foto de Edir lendo a bíblia dentro da prisão).
Estima-se que a Igreja Universal do Reino de Deus tenha mais de 15 milhões de fiéis no Brasil e templos em mais de 172 países do mundo (para se ter uma idéia do imperialismo, a McDonalds, maior rede de fastfood do mundo, está em 118 países), o que significa, direta e indiretamente, um potencial de crescimento imensurável para a Rede Record, que tende a configurar um ciclo retro alimentador.
Diante de todas as polêmicas existentes em torno do bispo Edir Macedo e da legião de pessoas que o amam e que o odeiam, que o repugnam e que o admiram, certamente existem algumas unanimidades. E uma delas, seguramente, é a de que o cara é um gênio de uma espécie de marketing viral, e que sabe, como poucos, utilizar essa genialidade e o seu poder de persuasão e eloqüência em prol dos seus objetivos pessoais e institucionais (ainda que ao fim e ao cabo um e outro sejam mais ou menos a mesma coisa), afinal se o pastor e a programação de sua televisão conseguiram fazer a sociedade sentir simpatia por policiais meliantes e torcer por traficantes, mafiosos, cafajestes, vampiros e até por mutantes, tornar aceitável meros chutes em santas de barro e curadinhas que não dão resultados é moleza!
Perto desses personagens surrealistas ou não, os líderes da Igreja Universal só não são comparados a santos para não abrir concorrência.
A história é um domínio de todas as dimensões: do espaço e do tempo. É construída no presente, retrata o passado e projeta um futuro, mas nem sempre essa projeção condiz com a realidade. Porque não se conta o futuro. O futuro se constrói. E nessa copa das confederações... A história já parecia contada, antes mesmo de acontecer Brasil x Espanha na final. O Brasil chegou lá, mas o seu suposto adversário ficou pelo caminho, dando espaço para EUA, aquele que ninguém acreditava que passaria, ao menos, da primeira fase. Ninguém acreditava também, que além de chegar à final, eles terminariam o primeiro tempo ganhando por 2x0 os pentacampeões do mundo. Aqueles que costumam construir a história a seu modo, independentemente da história dos outros, roubavam a cena Mas na história do futebol, há um elemento que escapa do espaço e do tempo, (ainda que não escape da história): a camiseta! E a amarela, de cinco estrelas, pôs as coisas no seu devido lugar Devolvendo a história à sua dimensão No futebol, pelo menos nele… No, they didn`t can!
O Brasil voltará a sediar uma copa do mundo 64 anos depois do “Maracanaço”, como ficou conhecida a final de 1950 quando 200 mil pessoas testemunharam a derrota brasileira frente ao Uruguai, o que foi, seguramente a maior tragédia da nossa história futebolística.
Para a copa de 2014, no entanto, a temível tragédia começa desde o momento do anuncio do Brasil como sede oficial: a de que os recursos públicos corram pelo ralo da corrupção em desvios de verbas, superfaturamentos e, na melhor das hipóteses, em obras milionárias que não proporcionarão o devido retorno aos investimentos feitos em sua construção.
Este mês, foram anunciadas as cidades-sede e os respectivos estádios que serão palco dos jogos de 2014. Dentre as 12 cidades escolhidas, pelo menos nove devem usar dinheiro público para construir estádios, o que contradiz a enfática declaração no ano passado, do Sr. Ricardo Teixeira, presidente da Confederação brasileira de futebol, de que a copa do mundo seria totalmente realizada com recursos privados.
Muitos estádios novos serão construídos, ou em terrenos desocupados ou sobre os escombros estruturais e históricos de outros. Em Recife, por exemplo, será construído um estádio totalmente novo dentro de um complexo criado para o mundial, chamado de Cidade da copa, com shopping center, conjuntos residenciais e local para eventos. A dúvida é que utilidade terá esse estádio depois que passar o mês de competição, no pequeno município de São Raimundo, enquanto cada um dos três clubes importantes de Pernambuco já possui seus próprios estádios e que, pelo menos dois deles, poderiam ser reformados para a copa.
Poderiam... Se não fosse inevitável a obrigação de cumprir, à risca, cada uma das “recomendações” da entidade máxima do futebol. Afinal é preciso encher os olhos dos patrocinadores e proporcionar um grande espetáculo televisivo. E, para isso, segundo o critério daqueles que “recomendam” é imperativo construir estádios padronizados para todo o mundo, como se a cultura não fosse um componente essencial na arquitetura.
Em Manaus, onde nenhum clube joga, ao menos, a terceira divisão do campeonato nacional, e que em clássicos não é incomum um público de 150 pessoas, será construído um Vivaldão totalmente novo sobre o atual, que será demolido. O valor da obra, custeado pelo governo local, será de 500 milhões de reais, mais ou menos uns 5 hospitais de médio porte, equipados com salas cirúrgicas, UTI e tomografia computadorizada. Levando em consideração que, no Brasil, os custos finais geralmente são bem maiores que os anunciados inicialmente (vide o exemplo do PAN do Rio, onde os valores gastos foram, pelo menos, o triplo do orçamento inicial), calculemos uns 8 hospitais, mais ou menos.
Na linha do “Ninho de pássaro”, estádio ícone das olimpíadas de Pequim do ano passado, o novo Vivaldão fará alusão, em sua forma, a palhas e texturas de pele de répteis. É o Brasil mostrando um pouco da identidade amazônica – através de um escritório de arquitetura alemão (assim como em Natal). Nada mais coerente, afinal o modelo de estádio, estabelecido pelas exigências padronizadoras da FIFA, tem muito mais a ver com a Alemanha que com o Brasil.
Em Cuiabá, somente o gramado do Verdão será aproveitado. Uns “4 hospitais” serão investidos, com dinheiro público, claro.
Enquanto isso a FIFA já fechou todos os contratos de patrocínio possíveis para o mundial de 2014. Um valor em torno de 2 bilhões de dólares que o Brasil não verá, sequer, a cor. Antes, ele será usado para, dentre outras coisas, financiar as viagens dos cartolas e suas hospedagens em hotéis de luxo. Ou seja, o povo brasileiro paga a conta, mas quem bebe são eles.
Por falar em beber... Abramos um parêntese:
Uma das boas noticias no cenário de realização da copa no Brasil, é que uma velha conhecida dos estádios brasileiros voltará a aparecer: a boa e velha cerveja gelada. Se o trabalhador tupiniquim terá condições financeiras de tomá-la ou, pelo menos, de entrar no estádio, já é outra história...
Os problemas estruturais da educação e segurança pública, assim como as desigualdades sociais voltam a ser os responsáveis pela geração de violência nos estádios de futebol, imaginem que disparate! O consumo de bebidas alcoólicas foi inocentado no tribunal da FIFA. O fato de um dos seus principais patrocinadores ser uma companhia de bebidas, certamente não tem nada a ver com isso...
Fecha parêntese...
É bem verdade que a realização da copa não se limita a construção de estádios.O Brasil deve passar, nos próximos 5 anos, por uma grande reestruturação da infra-estrutura de suas cidades, pelo menos das que sediarão o mundial. Aeroportos, vias de tráfego e transporte público devem ser modernizados e terem seus serviços expandidos. O turismo deve crescer, empregos diretos e indiretos devem ser criados etc.
É verdade também que é possível que, através de parcerias, cheguem recursos externos para contribuir com esse processo. Mas a dúvida persiste: o resultado da equação configurada pelo que vamos pagar e o que vamos ter de benefícios será realmente positivo ou mais um espetáculo de pirotecnia política?
Será a realização de uma copa do mundo, o segundo maior evento esportivo do mundo, uma oportunidade de desenvolvimento para a nação brasileira ou de enriquecimento ilícito dos líderes políticos?
Não se sabe...
A nós, cabe transferir para a esfera social o que já é parte da cultura do futebol: exigir!
Exigir transparência nas contas, objetividade no emprego de recursos e responsabilidade social para que, ao final da copa do mundo, a conquista de uma taça de campeão não seja o máximo que tenhamos a comemorar.
Em um mundo em que os interesses econômicos e políticos fazem parte do exército da indiferença sendo, ao mesmo tempo, cúmplices e comparsas um do outro, as esperanças de uma vida digna e de perspectivas de futuro muitas vezes são depositadas em agentes sobre-humanos, vida após a morte e em um conjunto de promessas, dogmas e rituais que fazem tudo isto parecer muito mais atrativo: as religiões.
E, assim, multidões inumeráveis lotam os templos da fé, em todos os rincões do planeta, erigidos como mesquitas, centros e, dentre outros, igrejas, em busca de respostas, conforto e esperança.
Diante de tantas desigualdades sociais, dor, fome, violência e abandono, uma infinidade de pessoas não vê alternativa que não seja “entregar suas vidas a Deus”, seja ele qual for, ou quais forem. As religiões então, como instituições representantes do elo homem/sobre-homem, são detentoras de um grande poder no ceio da sociedade, principalmente de informação e controle social, e uma conseqüente, e importantíssima, responsabilidade.
É extremamente alarmante, portanto, e espantosa, a maneira como a maior de todas elas, e a mais poderosa ao longo da história, a igreja católica, se posiciona frente a uma das enfermidades mais cruéis que o homem conhece atualmente cuja cura, até hoje, se esquiva dos cientistas: a AIDS.
Em um cenário de índices caóticos de desenvolvimento humano, acesso a recursos e a serviços de saúde publica, encontra-se 22 milhões de africanos infectados por este vírus. O continente que, supostamente, é o berço da humanidade, padece diante de uma perversa realidade.
O número assustador de infectados, que corresponde a 2/3 do total em todo o mundo, parece não sensibilizar as estruturas dos poderes políticos e econômicos, já que com cifras muito inferiores a dos 200 bilhões de dólares gastos na guerra do Iraque, se poderia diminuir brutalmente o sofrimento de milhões de seres humanos.
Empresas donas de patentes de medicamentos que combatem os efeitos desta enfermidade se negam a negociar seus “produtos” de maneira mais acessível aos países mais pobres, inclusive exigindo juridicamente de suas concorrentes que também não o façam quando uma ou outra demonstra a intenção de fazê-lo, alegando “concorrência injusta de mercado”.
Por outro lado, o Papa, representante máximo da igreja católica, declara que a doença é "uma tragédia que não pode ser combatida apenas com dinheiro ou a distribuição de preservativos, os quais podem, inclusive, aumentar o problema."
Que não se combate somente com dinheiro e preservativos é verdade, é óbvio e está claro, que o uso de preservativos pode aumentar o problema, pode ser considerado como verdade se for analisado do ponto de vista que é mais prudente não fazer sexo a fazer com proteção. Porém, o Papa esqueceu-se de algumas coisas, na verdade creio mais que se fez de esquecido (para não utilizar um termo mais agudo): que o fato de não serem as únicas soluções não as fazem ser menos importantes, e que, ademais, os investimentos em medicamentos (pesquisas e acessibilidade), em prevenção, em infra-estrutura sanitária e em distribuição gratuita e em massa de preservativos são as maneiras mais eficientes que conhecemos (inclusive ele) para combater a disseminação da doença e o tratamento dos enfermos. Além do que, a castidade, além de ser uma grandíssima hipocrisia, não garante o controle da enfermidade, visto que ela não apenas é sexualmente transmissível, e o relacionamento pós-casamento não imuniza nem homem, nem mulher.
Não obstante, se todas estas questões se limitassem ao âmbito ideológico, ainda que não parecessem menos incoerentes, poderiam ser aceitas, simplesmente pelo respeito à liberdade de opinião, porém a postura da igreja católica extrapola os limites da ideologia e chega à manipulação, à extrema hipocrisia, à mentira e a mais absoluta irresponsabilidade ao afirmar que o preservativo não é um instrumento de prevenção contra a transmissão do vírus HIV por “ter poros e permitir a passagem do vírus transmissor”.
Dentro deste esquivo jogo de respeito e manipulação, necessidade e ilusão, poder e influencia, não é difícil “imaginar” uma conexão dos interesses supra-expostos de economia e política com os religiosos, afinal, não é de hoje que a igreja representa não apenas os seus próprios interesses.
Esta postura, propagada por aqueles que tantas pessoas carentes confiam ilude, manipula, maltrata e, acima de tudo: mata!
Posicionando os dogmas numa escala de importancia superior ao seguimento de seus próprios mandamentos, e acima da essencial preservação da vida humana.
Mais do que nunca, os representante da “santíssima” igreja, deveriam olhar para os céus, encher o peito e dizer a plenos pulmões: “Que Deus tenha piedade de nós”
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Dizem que o estádio de futebol é como um teatro. E, realmente, estas edificações dialogam entre si. Apesar de suas funcionalidades serem completamente distintas, os entes que os configuram batem uma bola, apesar de muitos marcarem gol contra ao relacioná-los.
A FIFA, outras entidades e profissionais tendem a associar estes dois espaços, porém deve-se ter prudência ao fazê-lo, pois pouco a pouco me parece que o estádio vem ganhando cada vez mais características de teatro, o que diminui a dimensão do espetáculo futebolístico, que não admite, em sua essência, a passividade do espectador de uma peça teatral.
Embora, algumas peças, especialmente do teatro moderno, tenham uma perspectiva de interatividade com o público, esta é significativamente diferente da perspectiva que existe no caso do esporte.
A efusão de sensações provocada pela alucinada dinâmica das arquibancadas de um estádio de futebol e os espetáculos de canções e coreografias tendem a ter seus dias contados com a domesticação das torcidas através essencialmente da configuração espacial do estádio de futebol.
É a arquitetura e a arte, o pão e o circo...
No estádio o palco é revestido por grama a platéia não precisa e nem deve fazer silêncio durante o espetáculo e os atores os protagonistas donos de um preparo físico invejável e mestres da improvisação jamais seguem qualquer roteiro No estádio não há encenação e o resultado é sempre um espetáculo inédito cheio de surpresas e irresistivelmente apaixonante
Esta matéria é para todas os moleques que vivem ouvindo reclamações de suas mães para que eles arrumem seus quartos. Através da comparação, conquistem a vossa liberdade de bagunçar companheiros!!!
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É questão de matemática mesmo, o que fica provado com o sucesso do voleibol brasileiro. Perguntado sobre quais os motivos que faziam do Brasil uma potência mundial neste esporte, o ex-jogador, Tande, respondeu: “INVESTIMENTO”.
Segundo informação de institutos especializados*, são necessários cerca de 3.000 atletas treinando para se formar um atleta olímpico, proporcionalmente. Ou seja, investir seriamente numa política esportiva que vise transformar o Brasil em uma potência olímpica, acima de qualquer coisa, trata-se de um resgate social, de uma política de investimento em educação e saúde, que traria uma infinidade de melhorias para o país, desde a formação de cidadãos mais capacitados para enfrentarem os obstáculos da vida à diminuição do nível de ociosidade dos jovens brasileiros, esta última que acaba decorrendo numa série de outras problemáticas, como é sabido.
Para se formar, por exemplo, uma delegação do tamanho da campeã de medalhas, a China, com cerca de 1100 pessoas, dentre atletas, técnicos e apoio, seria necessário que cerca de 3 milhões de jovens estivessem praticando esportes assiduamente, quase 2% da população brasileira. Se considerarmos somente a população até 29 anos, este número cresce para aproximadamente 6%.
Estes números são tão significativos, que podemos pensar o fracasso brasileiro nas olimpíadas de Pequim como um reflexo do fracasso na administração pública e da gestão de um país de proporção continental.
As lágrimas do judoca Eduardo dos Santos, são as lágrimas do brasileiro, sofrido e batalhador e as desculpas pedidas por ele por ter sucumbido diante de seus adversários é, como foi sabiamente defendido por Eduardo Elias (jornalista da ESPN Brasil), as desculpas do Brasil para ele, e para todos que ele representa.
A potência do Brasil nas olimpíadas não passa de, perdoem-me a aparente redundância, nada mais que um mero potencial, uma grande promessa, assim como a de que o Brasil será um país menos injusto num futuro próximo...
Os heróis geralmente são carimbados com características sobre-humanas uma força extraordinária, agilidade incomparável, inteligência espantosa... os atletas brasileiros que estão competindo em Pequim, não possuem estas características, não são personagens de histórias em quadrinhos, são meramente humanos, mas com a pífia política de investimentos nos esportes do país tupiniquim, com a falta de infra-estrutura de treino e patrocínio, estes bravos compatriotas contestam o começo deste texto. Personagens de uma história triste e real, onde homens e mulheres vão além daquilo que normalmente poderiam isto deveria, por si só, os fazerem vencedores (e efetivamente os fazem). e isto, exorcizaria o “quase” do vocabulário nacional em época de olimpíadas e, por tabela, o fantasma da ausência do hino brasileiro no hasteamento de bandeiras nos pódios, mas a máxima de “o importante é competir”, além da sua beleza poética, não tem absolutamente nada, pois quem quer que seja, onde quer que esteja, numa competição, almeja os melhores resultados, acertar o que não acertou em anos de treinos, fazer os tempos que nunca fizera, ou mesmo somente fazer aquilo que têm conseguido, mas enfim, vencer! a vitória é almejada do favorito ao maior de todos os coadjuvantes e isto fica perceptível nas expressões de decepção e tristeza nos olhos de brasileiros que sabem que poderiam fazer muito, mas podem fazer quase nada homens e mulheres com altíssimo potencial, tanto que alguns ainda conseguem ser os melhores do mundo, mesmo com todas adversidades, mas pouco valorizados, pouco incentivados depois dos jogos, é a única vez de 4 em 4 anos que se vê o presidente da república indo na (pseudo) contramão desta realidade, chamando os heróis olímpicos ao centro do poder nacional propagandeando vitórias individuais hipocritamente como vitórias de toda uma nação. Fora isso, é triste para eles, e triste para nós que ficamos assistindo, vendo centenas de sorrisos amarelos e discursos de “quase”... Contudo, sempre nos resta a esperança de ver nossos irmãos no topo,e isto acontecerá certamente. Um dia veremos o Brasil batendo todos os recordes, liderando o quadro de medalhas. Ou quando o esporte passar a ter o devido respeito nacional e sua importância social valorizada, ou quando a superação humana tiver o seu próprio quadro, contemplando com medalhas a honra ao mérito de ser mais do que se é possível ser.
A festa de inauguração do novo viaduto, em mangabeiras, teve a presença de políticos, industriais, polícia, construtores, puxas-saco, ajeitadores de gravata alheia e muita redundância. Claro, não podia faltar, numa festa, salgadinhos, refrigerantes e bolas, mas o bolo, este quem levou foi o povo, pois na cerimônia de inauguração teve de tudo, menos inauguração.
A obra, tratada como uma epopéia Homérica (e, digamos a verdade: mais parece uma obra lírica com o Almeida e sua Lira, ops, sanfona), se arrasta por mais algum tempo, fazendo a população amargar os transtornos infindáveis de bloqueios, desvios, placas, cimento, pedra e todo o resto em nome do desenvolvimento.
Após inúmeros adiamentos no prazo de entrega da obrada e muitos quilômetros de engarrafamento acumulados, a inauguração só inaugurou mesmo o nome do viaduto.
Graciliano Ramos, grande poeta e escritor alagoano, foi o homenageado. Ao menos tiveram o bom senso de escolher um nome decente e representativo para nomear a menina dos olhos da prefeitura municipal.
Digo isto, na tentativa de me convencer de que o nome que vi encabeçando o viaduto tenha sido mera ilusão de ótica...
Não pode ser...
Temos Jorge de Lima, Hermeto Pascoal, Arthur Ramos, Aurélio Buarque de Holanda, Zumbi dos Palmares...
Mas infelizmente, sou obrigado a me corrigir...
O viaduto não recebeu o nome de alguma destas figuras, agora percebo, em nome da coerência. O mais perfeito coroamento, a cereja no bolo que o povo levou não podia ser outra. O nome do viaduto, meus caros, não podia ser outro além do que lhe foi dado. Afinal, honestamente, nunca se fez tanto.
A obra, desde a primeira martelada, se fez infinita. Primeiro pelos transtornos no trânsito que provocou. Depois, pelo benefício que trará para o fluxo de veículos até que o aumento da frota peça mais três ou quatro viadutos e que o transporte público se torne mais um em alguma lista de espécies em extinção. E por fim, na imagem do nome, atuando como um filme repetido de sessão da tarde, que teremos que engolir todas as vezes que passarmos por ali.
Só nos resta agora engolir o detentor do privilégio de ter o nome imortalizado em um equipamento urbano público fazer campanha política levando a televisão a entrevistar Joãos sem casa, propagandeando que, além de tudo, criou embaixo do SEU viaduto moradias populares.
Já consigo visualizar nas paredes destas moradias uma Lira poética do forrozeiro, mais ou menos assim:
Estou fazendo um mestrado na Espanha, e por isso, durante um determinado período, estarei postando mais na seção "viajando, viajando"... onde contarei um pouco das minhas experiências aqui, do outro lado do mundo. Embora não goste de escrever em primeira pessoa, não há como contar certas coisas sem fazê-lo assim.
Espero que leiam, e curtam... qualquer coisa é só comentar!
Atenção: Os textos da seção "Por que" e "De onde veio" são frutos de uma brincadeira entre amigos que tem o objetivo de responder questões intrigantes (ou completamente desprezíveis) misturando fatos com criações de pseudo-argumentos. Então, se liguem! Se alguém puser no google algum tema e achar este blog e colocar num trabalho da escola como fonte "crtl c" "ctrl v" vai se dar mal... ou então... de repente a professora acredita em você... Quem sabe...