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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Feliz ano novo



O que comemoramos, enfim, nos primeiros segundos de cada Janeiro?
Por que há contagem regressiva para que acabem todos os 31 de dezembro?
O que há de tão mal neste dia, que todos querem que se vá... Tanto que estouram champanhe em nome de sua ida?

O que intriga é que 364 dias mais tarde (atrasando no máximo mais um dia em anos bissextos) estará, de novo, presente, o famigerado 31/12 e novamente estaremos nós, vestidos de branco preparando as garrafas de champanhe.

Isto significa que começamos e terminamos cada ciclo de 365 dias com champanhe na mão, bebendo, e estourando, estourando e bebendo e vice, e versa, confundindo tudo num mesmo pandemônio, que convencionalmente se chama de ano!

O champanhe é o símbolo da felicidade, mas nem todos que o bebem estão felizes, alguns estão exatamente em busca disso. Porém o 01/01 adicionou ao champanhe o símbolo da renovação, da reconstrução... do alvorecer, do surgimento de novos tempos e novas esperanças...

Sempre me pareceu um tanto quanto sem sentido garrafas e garrafas de champanhe serem sacrificadas por causa de uma inconseqüente e inexplicada aversão a um reles dia especifico, parte de um conjunto formado por outros 364...

Mas, sabe-se lá quem quer que seja por que, esta transição possui um misterioso sentido de crescimento, pessoal e coletivo, recheado do espírito de novo.
E o novo é sempre bom,

Afinal comemoramos tudo que é novo

O carro novo, a casa nova e agora mais recentemente o nariz novo, a orelha nova...

E por aí vamos, sempre com novidades

E já que estamos na época,

Seja lá por quê, e para quê...

Feliz ano novo!

O teatro e o estádio



Dizem que o estádio de futebol é como um teatro.
E, realmente, estas edificações dialogam entre si. Apesar de suas funcionalidades serem completamente distintas, os entes que os configuram batem uma bola, apesar de muitos marcarem gol contra ao relacioná-los.

A FIFA, outras entidades e profissionais tendem a associar estes dois espaços, porém deve-se ter prudência ao fazê-lo, pois pouco a pouco me parece que o estádio vem ganhando cada vez mais características de teatro, o que diminui a dimensão do espetáculo futebolístico, que não admite, em sua essência, a passividade do espectador de uma peça teatral.

Embora, algumas peças, especialmente do teatro moderno, tenham uma perspectiva de interatividade com o público, esta é significativamente diferente da perspectiva que existe no caso do esporte.

A efusão de sensações provocada pela alucinada dinâmica das arquibancadas de um estádio de futebol e os espetáculos de canções e coreografias tendem a ter seus dias contados com a domesticação das torcidas através essencialmente da configuração espacial do estádio de futebol.

É a arquitetura e a arte, o pão e o circo...


No estádio
o palco é revestido por grama
a platéia não precisa
e nem deve
fazer silêncio durante o espetáculo
e os atores
os protagonistas
donos de um preparo físico invejável
e mestres da improvisação
jamais seguem qualquer roteiro
No estádio
não há encenação
e o resultado
é sempre um espetáculo inédito
cheio de surpresas
e irresistivelmente apaixonante


(não que Shakespeare não seja...)

Soneto ao futebol

Morre o tempo, desfaz o espaço, começa o jogo
a adrenalina jorra, dissipa e se renova
atordoado fico, preso à uma bola
pendendo do pranto ao gozo

A alegria desafia a derrota
sorri, e se espalha, no todo
que na parte se encontra, de novo
e esta paixão indefinível extrapola

Na disjunção louca dos ataques,
a tradição soma aos embates
a essência do esporte bretão

Jamais erro um chute aqui sentado
passo por todos os zagueiros e marco
o gol mais importante de toda a 4ª dimensão

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