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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Barcelona Club de Fútbol



Més que um club (mais que um clube, em catalão), é o slogan do Barcelona clube de futebol, e, efetivamente, ninguém pode negar que na realidade o seja, muito mais que um clube de futebol.

O Barcelona pode-se dar ao luxo de nunca ter tido estampado o nome de um patrocinador em seu uniforme principal (fora a marca do material esportivo), e, a partir de 2006, passou a levar, no espaço destinado a este fim por todos os clubes, o nome da UNICEF, para a qual, ao invés de receber dinheiro, direciona não menos que 1.5 milhão de euros por ano, contribuindo para o financiamento de projetos humanitários, incluindo o combate a AIDS na África. Além disso, a fundação Barcelona Futebol clube investe na luta contra as drogas, dentre outros projetos.

Historicamente o Barcelona é um clube de orientação esquerdista, apoiou o regime republicano e apóia até hoje a causa catalã, exaltando sua cultura e defendendo seu idioma e suas perspectivas autonômicas. Desperta, por tudo isso, a simpatia de espanhóis espalhados por toda a terra das touradas. Seu nome e suas tradições rompem as barreiras da geografia e cativam fãs no mundo inteiro.

Como não poderia deixar de ser, os seus dirigentes exploram essa imagem em interesses econômicos, fechando contratos cada vez mais gordos e ampliando seus horizontes. Em breve, haverá uma equipe barcelonista disputando o campeonato norte americano, certamente com o objetivo de cativar a terra do tio Sam, que ainda começa a descobrir a paixão pelo futebol.

O Barcelona tem hoje 2 dentre os 5 melhores jogadores do mundo (segundo a FIFA) em seu plantel que, por sua vez, é o mais valorizado do mundo (segundo pesquisas sobre economia e futebol). Com mais de 100 anos de história, um gigante patrimônio (incluindo o museu mais visitado da Espanha), mais sócios de 150 mil sócios (mais do que o número de vagas em seu estádio) e quase todos os títulos que um clube pode almejar dão a noção do tamanho do poder que possui esta instituição.

Pelo Camp Nou, passaram grandes gênios do futebol brasileiro, incluindo os três maiores nomes dos últimos anos, o quarteto mais que fantástico: Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaucho, nomes a serem lembrados por toda a história do futebol. Mas não só gênios brasileiros passaram por aí, nomes como os de Stoichkov, Cruyff, Laudrup, Zubizarreta e, nada menos que, Diego Armando Maradona, compõe a imensa trajetória deste pedaço da história viva que os apreciadores do futebol têm o prazer de contemplar.

Se morasse na Espanha, certamente seria torcedor deste que, com certeza, é muito mais que um clube...

Se antes,

E acima de tudo...

não fosse torcedor do CRB

Claro!

Borracho!



No Brasil costuma-se dizer que um bêbado jamais admite que assim o está.

Imagino que seja porque um bom beberrão quando dá o primeiro gole da noite (ou do dia) começa uma batalha com o álcool para ver quem acaba primeiro. Se a cachaça ou ele, deitado em algum lugar, propulsando liquido biliar. A cada copo a mais, ambos ficam debilitados: o bebum pela ida da bebida e esta pela ida do bebum. A diferença é que a bebida se sabe pra onde vai, já o bebum...

Aquele que bebe sente um misto de ternura e ódio pela “márdita”, ao mesmo tempo que quer derrubá-la, quer sua companhia. Um apreciador da bebida nunca quer ficar sem ela, porém não há maior glória do que secar uma garrafa, ou várias caixas delas, beber tudo até que não se possa mais beber, ou por falta de sanidade ou de embriaguez.

Porém, neste misto de sentimentos, antes derrotá-la do que ser subjugado por ela. É muito melhor dizer que acabou com todas as bebidas da geladeira, do bar e da adega, do que dizer que acabou bêbado, dormindo na sarjeta de um lugar qualquer.

E é exatamente por isso, que nenhum bêbado, segundo diz o ditado, admite a sua bebedeira, pois fazê-lo seria admitir a derrota na batalha frente à sua companheira.

Desta forma, hoje posso dizer que encontrei um homem honrado. Que perde, mas admite a derrota assim como se vangloria de uma vitória quando a conquista. Pois assim é a vida, um dia se perde, no outro se ganha.

Estava eu na fila para comprar uma passagem para Valencia, quando um senhor apareceu, cambaleando, como um pseudo-dançarino que não rompeu a seqüência da noite anterior. Estava ele com seus óculos de arquiteto, cabelo de diretor de cinema, brinco de estilista, camisa de clubber, calça de DJ e bota de West Guy, totalmente moderno, no auge dos seus 40 e poucos anos. O tal figura me olhou nos olhos e disse uma única, profunda, sincera e inédita palavra: “Borracho!”.

Mal sabia ele que nem precisava dizer.

Em seus olhos estava a tristeza da derrota, mas a honra de um homem que perde, que leva uma rasteira, mas cai de pé (não necessariamente em seu sentido literal).
Se fosse no Brasil, pensei, a mesma cena seria protagonizada por um maltrapilho, cantando alguma canção de Reginaldo Rossi ou algo assim, dando entre uma palavra mal pronunciada e outra uma saborosa gargalhada, contando histórias fantásticas de que conhece fulano e beltrano, que já almoçou na casa do Roberto Carlos e jurando que o governador do estado é seu amigo intimo.

Estaria com sua amanhecida barba, seus cabelos semi dreadlocks, um olho aqui outro ali, e, eu seria capaz de apostar, uma camisa do flamengo. Estaria com tudo isso, menos alguns dentes, nove´s fora...

Nada de admitir a beberreira

Diria em alto e bom som para que todos ouvissem: “Tô bonzim, bonzim!”
Se por um lado os bêbados tupiniquins não admitem nunca que estão bêbados, não assumindo a honra de fazê-lo, por outro lado protagonizam a graça e o brilho de uma bebedeira.

Afinal, mesmo na derrota, somos brasileiros, e não desistimos nunca.

As nações e seus bichos

Não sei o que se passa, mas os gatos da Europa sofrem de uma obesidade generalizada. Todos os bichanos que vi por aqui parecem sofrer da síndrome de Garfield, e tenho que confessar, é um tanto quanto sem graça olhar para a cara dos ditos cujos e não ver aquela cara de malandro de quem acabou de roubar a ração do cachorro do vizinho ou de saborear um delicioso pardal por não ter whiskas em casa.

Olho para todos os lados e me pergunto onde estão aqueles raquíticos felinos que chegam perto das pessoas, balançando de um lado para o outro, como dançando um samba, com seu respectivo rabo fazendo o papel de uma batuta, regendo a orquestra da espontaneidade.

Os cachorros então, estes andam penteados, cheirosos, alguns vestidos (coitados, faz muito frio), andam de metrô, de trem e tudo o mais. Há salões de beleza por toda a parte para eles e, acreditem, até discotecas. Os cães daqui são chiques, modernos, porém monoglotas, percebi que não entendem português. Outro dia passei por um cão pela rua e o chamei como chamo os cachorros brasileiros e o rapaz nem me deu bola. Não sei se não entendia ou se era muito prepotente.

Faz falta por aqui aqueles cachorros maltratados, rabugentos, com cara de panaca que andam por ai, revirando latas e sempre de prontidão para uma avulsa sobra de comida. Outro dia arremessei um pedaço de carne a um cachorro, que saiu correndo achando que fosse qualquer coisa, menos algo de comer. Se fosse no Brasil antes mesmo de cair no chão a carne já estaria em digestão no seu estomago.

Assim como ao povo, não falta esperteza aos bichanos brasileiros, que falam, acima de tudo, a língua da necessidade.

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